terça-feira, 27 de março de 2018

Residência Artística em Óbidos

No âmbito do Festival Latitudes em Óbidos, fui convidado para uma estadia no resort Bom Sucesso e um fim de semana para desenhar a vila. Claro que não podia recusar.
O tempo não esteve nada agradável mas com boa companhia, foi muito interessante.
No Sábado estivemos na vila, dois arquitectos, um antropólogo e mais três sketchers, mesmo com mau tempo, a vila estava cheia de turistas e os aguaceiros aproximavam pessoas nos pontos de abrigo.




Depois da minha clarividência de que grupo do risco está mais ligado a perigo do que a riscar, apesar dos dois envolvidos, andamos por caminhos de lama até o carro se enviar num buraco e descobrirmos que havia um caminho bem melhor até à torre de observação que queríamos espreitar.
Como o vento era agreste, acabei por ficar ao pé da Sofia Gomes a desenhar, num ponto alto onde o morro do inicio da mata nos abrigava.
Em alguns recantos ainda deu para pintar descontraidamente a paisagem, ver bandos de corvos marinhos, gaivotas, patos, garças... foi muito interessante.



No fim, durante o almoço, o Pedro Salgado do grupo do risco tinha alguns blocos de desenhos de expedições no carro e ficamos a partilhar blocos e experiências até o cansaço nos levar de volta a casa.

segunda-feira, 26 de março de 2018

Passear em dia "bravo" de mar e vento

No passado sábado depois de ir abastecer a minha viatura, dei comigo a fazer um caminho "torto" até casa. Não tendo itinerário pré estabelecido, segui sem rumo, talvez buscando a voz do mar lá para as bandas de Santa Rita ou Porto Novo. Batendo asfalto, seguindo ao gemer do vento que tomava vertical e horizontalmente todo o meu ser (e a  viatura), dei comigo em A-dos-Cunhados. Parei. Ali baloiçavam pedras, chão e espaços, pelo que decidi não ficar. Sobreiro Curvo, cruzo nas Paradas e tomo a estrada que segue de Palhagueiras até Penafirme.
Juro que não era minha intenção desenhar moinhos de vento, "gigantes" que ao vento enchem mar e terra. Mas aconteceu, pois no primeiro ressurgir de paisagem, em vertical nostalgia atirado contra a luz do horizonte, ali estava um, à espera que o tomasse entre os meus dedos.
Aqui esboços surgem, um e logo outro (o primeiro soando ao meu solitário ouvido "que terror"), no  interior do baloiçante da viatura, que teimava em querer voar dali.

Não sabia como se chamava aquele lugar, mas a Internet é poderosa e logo tomando como referência os corpos arquitectónicos mais próximos (Campoeste), a consulta resultou: Alto das Estiveiras (A-dos-Cunhados).
O mar, a luz e o vento impulsionaram os meus passos e logo mais à frente, outro moinho mesmo à beira da estrada, desamparado e preso no espaço verde da Rua do Chofral (Casal Chofral, A-dos-Cunhados)
Parei junto ao Seminário de Penafirme, certa de "meter mãos" à fachada da igreja, edifício que penso ser de finais do século XVIII, mas o baloiçar dos pinheiros e eucaliptos por "cima da minha cabeça" traziam ao meu ouvido o falar do vento e o terror do perigo.  
Segui para a praia de Santa Rita e lembrei-me das ruínas do antigo convento de Penafirme (Convento Velho) e daquelas pedras desnudas que respiram ainda cintilantes, prisioneiras das dunas.
"Marrando" contra ornatos, janelas e curvas de antiquíssimo abandono, saiu qualquer coisa assim, que mais parecem fantasmas mortos, quebrando as folhas brancas do caderno.

No mar, as ondas quebravam pela maré cheia, e o Alcabrichel bailava secreto e barrento, pelo que decidi não parar. Seguia agora o curso doutro concelho. Na Maceira, deixei Torres Vedras e logo entrei na Lourinhã por Ribamar. A praia de Porto Dinheiro chamava-me lá do fundo. A espuma das ondas florescia pelas falésias, o poder do vento tremeluzia a viatura e ali num golpe rápido de olhos, avisto ao longe outro moinho. 

Os  horizontes frios da paisagem ditaram o meu virar costas ao mar e subindo até à Atalaia, passando por Marquiteira, Pregança, vislumbrando aqui e ali, ao longe e até perto, mais de uma dúzia de moinhos, só parei quando me encontrei segura, já perto do meu "cais de embarque e desembarque", a Marteleira, onde resido. Mas antes de descer a colina, um último moinho apela ao meu olhar e às minhas mãos e pede-me que lhe dê justa forma ao seu corpo.
Diferente, de "cinturas amarelas", lembra a cor do cereal que outrora moeu, repousando num terraço familiar como que despontando à eternidade.

12:00 Hora de ir tratar do almoço...

P.S. E como isto já vai longo, dispenso as fotos, que permitiram  já "no meu porto seguro", dar cor e luz aos riscos feitos nos locais, imagens dignas, umas e outras, quando  "à deriva" decidi viver e desenhar com mau tempo.



terça-feira, 6 de março de 2018

Hoje, hora do almoço no "Arena Shopping"

É uma das minhas grandes dificuldades (além de outras), desenhar pessoas em variados contextos.
Não consigo dar-lhes expressividade, postura correcta e outros atributos que deem à "cena" a harmonia e a credibilidade esperada.

Hoje, à hora do almoço, fui ao Arena Shopping. E após a sopa lembrei-me que tinha na mochila o caderno e o resto dos materiais de desenho. Não me perguntem porquê ? Não é hábito.

E ali  " saindo da minha zona de conforto " relativamente ao traço, alheia a quem olhava, desenhei algumas figuras que por ali andavam.

Não saiu nada de especial, mas valeu pela audácia de superar vários "condicionamentos" pessoais.



Só para terem a certeza que estive mesmo lá.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Moinhos de Moledo


A região centro do país tem muito para descobrir, e os Oeste Sketchers têm feito um trabalho dos diabos a consegui-lo! Moledo é uma pequena aldeia sobre um monte ventoso, na estrada para a costeira Lourinhã. O clima é severo, mas é precisamente por isso que os belos moinhos de vento estão cá. Um deles ostenta um mural do artista urbano Pantonio, conhecido pelas suas pinturas fibrosas e texturadas.



O município trabalha para dar nova vida à aldeia e colocá-la no mapa, como um destino turístico regional. Durante quatro anos, um grupo de estudantes da Faculdade de Belas-Artes de Lisboa salpicou as ruas e largos com esculturas relacionadas com o mito de Pedro e Inês. A Rota das Esculturas vale bem a visita, se as vistas de uma aldeia sossegada e pitoresca não são suficientes para passear pelos campos do Oeste.



Na parte mais baixa da aldeia, perto do canal, fica a igreja local. Um cruzamento pacato entre um templo sagrado e um pátio profano, que provavelmente servia como ponto de reunião para os aldeões, entre o trabalho no campo e a missa. As margens empedradas do canal marcam a fronteira entre a aldeia e a paisagem produtiva. Algumas pontes de madeira ligam os campos às ruas, sob o zumbir das pás dos moinhos modernos.



Publicado também AQUI

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Santa Cruz


Caminhada solitária, numa bela manhã de sol.
"(a)Riscar o Património" - Torres Vedras 23 de Setembro 2017
Torres Vedras foi mais uma vez convidada a integrar o projecto (a)riscar o Património da DGPC e a Câmara Municipal organizou um encontro no dia 23 de Setembro de 2017, em parceria com a Cooperativa de Comunicação e Cultura. A excelente proposta de encontro, recaiu sobre o território rural da freguesia de Dois Portos e foi um programa aliciante que cativou a aderência de alargado número de participantes (cerca de 50). De manhã visita guia e prova de vinhos na Quinta da Folgorosa e desenho livre pelos jardins, vinhas, adegas e belas paisagens. À tarde visita ao Santuário dos Milagres  e desenho livre junto à belíssima ermida.

Este ano consegui estar presente todo o dia e não conhecendo nenhum dos locais, foi um prazer enorme ter participado. Obrigada Torres Vedras, André Duarte Baptista e Centro de Comunicação e Cultura.

Aqui estão os sketches que fiz nesse dia:

















sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

desenho vadio


 
Rua Maria Barreto Bastos
 
 
Esq. Rua Almirante Gago Coutinho. Dir. Rua José Eduardo César
 
 
Rua da Cruz

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Moledo - Lourinhã

Dia 4 estivemos em Moledo, apesar dos fortes ventos gélidos arriscamos e fizemos muito bem.
Depois de uma breve introdução sobre a iniciativa Moledo Acontece, onde nos foram apresentados alguns factos históricos sobre Moledo e um percurso de estátuas que povoa a aldeia.
Dispersamos à procura de locais abrigados com perspectivas interessantes, a maior parte dos sketchers começaram pela zona mais alta,  um planalto com excelentes vistas onde a vegetação, a rocha e os moinhos tornavam a paisagem congelada no tempo. 





Depois de explorar a parte da aldeia mais alta, descemos pelo casario até ao largo da igreja e exploramos com desenhos os enquadramentos dos caminhos envolventes.






 As estátuas e os caminhos interessantes eram muitos, alguns ainda seguiram parte do caminho museológico ao ar livre mas o resto teria de ficar para a tarde, era hora da partilha de desenhos e do almoço gentilmente oferecido pela junta de freguesia de Moledo. Juntamo-nos à população, partilhamos os registos da manhã e tiramos uma foto de grupo.





A tarde foi cheia de descobertas, o sol aquecia de vez em quando e entre o casario apareciam conjuntos interessantes, alguns em ruínas, outros reabilitados.








A meio da tarde, acompanhamos o lanche com mais uma partilha de desenhos e outra foto de grupo, trocamos mais experiências e demos o encontro por encerrado.





Apesar do frio e dos ventos fortes, o sol e o almoço aqueceu-nos muito bem, um excelente dia, o qual agradecemos à junta de freguesia de São Bartolomeu dos Galegos e Moledo, Zita Silva, Cristina Henriques, João Leirão e a todos os que possibilitaram esta excelente experiência.